segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Novo Capinando

Aos leitores:

O blog Capinando está na rede desde 2009 e as postagens mais antigas foram ocultadas por serem crônicas que, devido ao tempo, perderam sua facticidade. 

domingo, 20 de setembro de 2015

Crioulos e pangarés

Oligarcas ruralistas que controlam as forças políticas porque possuem poder econômico não festejam o 20 de Setembro. Não como os peões. 

Celebram a própria fortuna semanas antes na maior feira do agronegócio da América Latina. Movem números entre os quais contam-se aqueles que madrugam na lida e que no tabuleiro social são a linha de frente. Enquanto quantidades de peões trabalham, a classe alta enriquece, aumenta a fartura e o povo, que é povo, aplaude alienado.

No dia em que se rememora a revolução de 1835, se reafirma a versão de heroísmo farrapo. O gaúcho que um dia foi às armas pelos estancieiros assumiu como sua, muito por falta de alternativa de revolucionar por si mesmo, a luta republicana dos patrões. Sua festa segue sendo no barro, na fumaça, no pelego. O peão continua no galpão e a costela saborosa é mais osso que carne que lhe sobra fantasiada de melhor corte. O melhor está na estância. Lá estão os que mandam, herdeiros dos caudilhos, senhores da terra-pampa.

“O sofisticado arcabouço ideológico através do qual, por cerca de um século, a oligarquia sulina expressara seu poder continuou intacto mesmo ao desaparecer a base econômica e política que o sustentava.” (DACANAL, 1985-2004, p. 68). 

Desaparecidas as bases agropastoris do Rio Grande do Sul anteriores à modernização, reinventou-se o pacto social de estratificação por meio da cultura popular. 

Estância e galpão então se fundem para que tudo continue separado.

Crioulos e pangarés.

“Bendito Deus! Pensei eu:
Ando como um esmoleiro,
E me nomeiam herdeiro
De guascas – que é quanto ganho
Quisera saber primeiro
Que fim levou meu rebanho.” (HERNÁNDEZ, Martín Fierro, Canto XVII, 815).  

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Tradutor e tradução: Eduardo Galeano

As coisas estão no mundo e precisam uma tradução.

Galeano era um tradutor. Porque escrevia. Escrevia sobre o que via e da maneira que via. Um escritor é aquele que traduz o mundo cru dos fatos para a versão da palavra e a deixa registrada para ser, por sua vez, traduzida por quem as lê. A palavra é versão e também novo fato.

Galeano era um bom tradutor. Pois, os bons são aqueles que com sua maneira de traduzir influenciam as traduções que virão.

Você, eu, qualquer um. Somos tradutores do mundo. E se um dia demos a mão a Galeano para que ele nos mostrasse este mundo por ele traduzido, sabemos o quanto suas palavras foram importantes.
O quanto elas nos inspiraram a traduzir a América, seu povo, seu cotidiano, seus sonhos, sua dor, sua paixão com nome celeste e apelido de gol.



Galeano repousa. Sua presença agora é fato que se cala. Mas, sua palavra é fato eloquente. Galeano está entre nós para ser traduzido, mais uma vez e para sempre. Em cada página ele nos estende a mão e convida. Pois, as coisas estão no mundo e precisam uma tradução. Uma boa tradução.





___________________________________________________________________


Leia mais em G1: Escritor Uruguaio Eduardo Galeano morre aos74 anos

imagem: El País

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Se você não estiver confortável com este relato, desista

Não quero saber do seu julgamento.

Não preciso dele.

Tudo o que for dito sobre o que está aqui escrito é especulação subjetiva.
Não será possível provar nada, nem contra, nem a favor.

No entanto, esta é uma história real para quem a presenciou.
Não há meios de ser falseada.

Não se trata de um caso do qual tomamos conhecimento e demos fé.

Se trata de uma experiência vivida e que tem sua verdade admitida pela imposição do fato.

Se você não quiser ler, a decisão é sua.
Se não quiser ou não conseguir admitir, é seu limite.

Mas, se você chegar até o fim, saiba: não posso provar o que afirmo da mesma maneira que você não pode provar o contrário. Porém, eu tenho a experiência, você, apenas a dúvida ou a crença.

Torres, RS. 12/05/2012


Meus pais possuem uma chácara na comunidade Águas Claras, distante cerca de 10 quilômetros da cidade de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul. No fim de semana passado, estávamos lá para celebrar o Dia da Mães e o aniversário de 1 ano da minha sobrinha, filha de uma das minhas irmãs. No sábado à noite, minha esposa Silvia e eu estávamos sentados em frente à porta da casa. Era por volta de 19h30. O dia havia sido de muito vento sul, forte e frio. A noite estava com temperatura baixa e o céu límpido, já sem vento, que parara ao entardecer. Por ser área rural e estar em uma pequena colina, a região permite uma visualização ótima do céu noturno. O panorama celeste estava extraordinário. Observávamos as estrelas com extrema clareza, já que mantínhamos apenas uma lâmpada acesa. Conversávamos sentados quando a Silvia olhou bem para cima de nossas cabeças e perguntou:

"-Que luz é aquela?"SK

Olhei e respondi:

"-Não sei."CD
"-Será que é um avião?"SK
"-Não pode. Apesar de parecer um farol de Boeing, tipo quando um pousa no Salgado Filho, não pode ser. Está muito baixo! Olha! E não faz barulho nenhum. Se fosse um avião, a esta altura daria para ver e o som da turbina seria muito alto. Não sei o que é. Aqui não é rota! Nem pode ser satélite! Está muito baixo." CD

A luz amarela como um farol de carro e muito brilhante estava a uns 150, 200 metros de altura. Era nítida a proximidade. Enquanto eu falava isso, fui levantando e seguindo a luz que tinha a trajetória noroeste-leste, vindo do planalto em direção ao mar, em linha reta. Acompanhei-a até quase o horizonte quando foi desacelerando, perdendo a intensidade e ficando menor e vermelha. Não fiz mais caso. Decidimos andar em volta da casa no escuro para ver mais o céu. Minutos depois, vi um ponto vermelho alto em deslocamento sul-norte. Mostrei para a Silvia.

"-Aquilo é um satélite."CD
"-Como tu sabe?"SK
"-Aprendi a reconhecer com os militares. Veja como ele está alto, porém bem abaixo das estrelas. Tem essa luz vermelha que não pulsa e segue rápido na mesma linha. Se fosse um avião, pareceria mais devagar e teria luzes de navegação diferentes, piscantes." CD

Depois disso, voltamos para onde estávamos e minha irmã mais nova convidou a Silvia para jogar bocha na entrada da garagem, onde estavam nossas cadeiras. Passados uns 10 minutos da percepção da primeira luz forte, em direção a Torres, sobre algumas árvores que ficam poucos metros depois do limite na chácara com uma estrada de terra, uma luz vermelha forte chamou a atenção. Ela voava baixo a ponto de passar por trás das árvores. Não emitia som algum. A Silvia e a Charlene, minha irmã, viram e perguntaram:

"-Que luz é aquela?"
"-Não sei. Parece ser um avião pequeno. Pode ser um teco-teco (monomotor)."

A luz passou reto num trajeto de uns 100 metros e parece ter dobrado em direção nordeste. Na hora, não dei atenção ao detalhe de estar baixo demais, perto demais e também não emitir som. De onde estávamos o ruído de um motor seria bem alto. Da chácara se ouve os carros passando pela BR 101, por exemplo, que fica a 1 quilômetro do local. Entrei em casa por um tempo. Depois a Silvia e a Charlene me disseram que meu pai, vindo até a porta, viu a luz vermelha no mesmo ponto e também perguntou sobre ela, achando estranha. Segundo minha esposa e minha irmã, a luz apareceu da mesma forma por pelo menos 3 vezes na minha ausência.

Além da razão

Se você não estiver confortável com este relato, desista.

Ele vai ficar ainda mais estranho.

Sem explicação

Retornei, joguei bocha com minha irmã. Paramos de jogar. Ela entrou em casa. Eu e Silvia ficamos na rua conversando. Então, ela viu a luz novamente.

"-Olha lá a luz de novo!"
"-Bá, é mesmo! O que é aquilo! Como está forte! É o boitatá?! ahahahah" 

Fomos em direção à cerca que separa a casa do campo. A luz estava muito mais brilhante, forte, como um farol de carro, vermelho. Pulsava e estava parada no ar. Estava a uns 200 metros de nós.

"-Olha! Está se mexendo!"
"-Aquilo não é avião! 
"-O que é?!"
"-Não sei!"
"-Parou! Está ficando azul!!??"
"-Meu Deus!"
"-Está vindo pra frente!"

Náusea.

Sentimos a náusea do espanto e da impotência.
Minha esposa diz que sentiu uma força involuntária que provocou enjoo, como uma eletricidade.

Gritei pela minha irmã. Ela veio correndo e viu tudo conosco.

A luz vermelha que estava parada ao lado direito das árvores se moveu para o lado esquerdo, passado por  trás das mesmas. Parou no ar. Deu uma ré suave. A luz vermelha se apagou e uma azul brilhante e intensa foi acesa. Em seguida a luz veio para a frente em nossa direção. Parou de repente e se inclinou um pouco. Neste momento deu para ver que aquilo era um triângulo escuro. Acendia luz vermelha em todo o lado direito e azul em todo o lado esquerdo. A luz era tão forte que iluminava o próprio objeto, de um preto fosco, do tamanho de um caminhão grande, para se ter uma ideia da dimensão. Ficou assim por uns 30 segundos ou mais. Perdemos a noção exata do tempo. O objeto, então, se deslocou para trás e para a nossa direita. Fez o primeiro ângulo reto percebido. Nesse momento estava de novo todo vermelho. Voou assim por uns 50 metros e virou, fazendo o segundo ângulo reto, do leste para o sul. Seguiu devagar nesta direção e passou por uma área descampada. Desacelerou um pouco e ficou novante azul, na nossa frente.

"-Olha só! Tá ficando azul de novo!"
"-Olha ali embaixo dele! As luzes...!! Não dá para a creditar." 

Na troca de cores, deu para ver claramente que nas laterais do triângulo havia círculos, como escotilhas, que eram espécies de faróis. Depois de ficar azul, acendeu o vermelho com muita força. Seguiu voando em direção sul. Entrou atrás de uma área de mata nativa da chácara. A luz era tão forte que passava entre as folhas da mata. Era um farol vermelho e potente. Corremos pela propriedade até a cerca do lado aposto onde estávamos e vimos o objeto vermelho seguindo em velocidade constante em direção sul até o alcance que podíamos.




A foto foi tirada no verão, mas mostra o ponto exato onde estávamos e onde tudo ocorreu. Ficamos na cerca, bem na cancela. O objeto apareceu e realizou as manobras pouco acima das árvores ao fundo, na esquerda do quadro. Deslocou lateralmente até o ponto do coqueiro, mais ao fundo, virou 90° e cruzou toda a área aberta, vindo para trás do mato nativo mais denso. A luz era tão forte que passava pelas copas das árvores como um farol.


Não sei


Aquilo contrariou o padrão de voo das aeronaves comuns. Pairou no ar, em silêncio absoluto, arrancando de repente com velocidade e descreveu ângulos de 90° por pelo menos duas vezes, sem parar. Era grande. Não sei do que se trata. Não sei se era tripulado. Não sei o que observava. Não sei qual sua propulsão. Não sei qual sua intenção. Não sei de onde são, o que são, quem são.

Só sei de uma coisa.

Vi algo que foge do normal.
Eu vi e mais 3 pessoas. Minha esposa, minhã irmã e meu pai, que viu a luz vermelha.

Não gravamos nada.
Tínhamos os celulares, mas não conseguimos nos mexer, tamanha a perplexidade.
Todo o evento final deve ter durado entre 3 e 5 minutos.

Lembre-se de tudo o que é dito por inúmeras pessoas.
Seriam cerca de 11 milhões de testemunhas de casos desta natureza em todo o mundo.
As autoridades militares brasileiras já admitiram ocorrências destas.

Nosso caso é incrível.
Nós mesmos concordamos com isso, mas não podemos negá-lo.
Para os céticos, é mais um relato onde encontrão inconsistência.
Para os crentes, é mais uma prova testemunhal de um contato de primeiro grau.

Para nós, é.



sexta-feira, 18 de junho de 2010

Minha primeira vez

Faço aniversário no mesmo dia em que Alex Lifeson.

Para ele, que nem sabe que existo, a importância deste fato é zero.
Para mim é como um trunfo.
Nos aproxima.
É uma razão a mais para gostar de Rush.


Talvez haja um motivo relacionado ao zodíaco que explique a identidade entre a arte da banda, expressão daqueles três caras e eu.

Primeira vez

Tinha 16 anos. Ouvi Rush pela primeira vez. Senti que aquela música era parte de mim. Estivera em minha mente o tempo todo e estava sendo estranhamente revelada.


Vinha do meu inconsciente e se ajustava ao meu ego perfeitamente, dramaticamente.

Mas não era uma música que eu havia feito.

Como poderia?

Estava em mim, mas não era minha.
Estaria em outros também, não sendo obra deles?

Sim.

Então, aquele som não poderia ser uma revelação particular.

Rush é coletivo e exato por ter consigo poderes arquetípicos.

Poderia ser esta uma outra explicação para a devoção dos fãs, espalhados pelo mundo, produtos de distintas culturas e, no entanto, ligados a algo comum.

Liturgia

Os fãs de Lee, Lifeson e Peart são devotos.
Para eles, para nós, Rush é um alimento espiritual, o qual comungamos.

É sempre uma cerimônia onde o sagrado se materializa na potência sonora, na elegância literária e na integridade pessoal dos três.

O rito máximo, para mim, foi estar no show em 2002.

Mas haveria mais.
Sempre há.

A celebração, ontem, ocorreu em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em sessão única foi exibido o documentário Beyond The Lighted Stage, sobre Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart, sobre o Rush.


Irretocável.

O filme recebeu o prêmio popular do Festival de Tribeca 2010.

Quem é o Rush e quem são seus fãs estão lá.
Billy Corgan, Jack Black e Kirk Hammet são alguns a descreverem a intensidade da experiência de ser um seguidor do power trio canadense.

Outra hipótese

Rush tem importância na formação do meu caráter.
Influenciou meu desenvolvimento na música.
É uma presença confortante.

Outro dia imaginei uma hipótese mística e divertida que esclareceria a relação entre o Rush e seus admiradores.

Distribuídos pelo planeta, os fãs de Rush são espíritos vindos de uma mesma região da galáxia para uma encarnação terrestre. Somos, por isso, um tanto semelhantes em gostos e opiniões.


Somos nerds parecidos, inclusive, com os próprios Peart, Lee e Lifeson.


Desgarrados de nosso canto galático, oculto em algum quadrante mapeado pela astrologia ou pela astronomia, estaríamos sós e melancólicos, afastados de nossa arte.


No entanto, a Sabedoria Cósmica, em sua generosidade infinita, enviou para junto de nós três músicos de nossa esfera-mãe com a tarefa de trazer nossa música, calmante para nossos corações e revigorante para nossos intelectos.

Assim, quando alguém ouve Rush e sente o impacto da revelação, não deve temer.

Ocorreu com você?

Sim, és um de nós.

You can surrender
Without a prayer
But never really pray
Without surrender

Lee, Lifeson, Peart


Rush Official Website

Fake news é mentira?